Mocinhos em Cante

Mocinhos em Cante

sábado, 29 de novembro de 2014

Todos em Homenagem ao Cante

Foi ao lado de todos os grupos corais do concelho, numa homenagem sentida e sincera à elevação do Cante a Património da Humanidade, que o grupo Mocinhos em Cante entoou duas modas.

Cante
 
O cante sabe a terra. Os homens e as mulheres que cantam têm na boca a terra mais doce de todas as terras. Quando as vozes dão os braços, nós, indefesos e arrepiados, abrimos‑lhes as portas do nosso céu para que elas possam voar no azul alentejano dos nossos sentidos. É tempo de sentir, é tempo de deixar correr este rio de pó e horizontes que temos dentro de nós. É hora de lembrar o passado que nos deu o que somos. É altura de abraçar os nossos avós. É ...tempo de cuidar das raízes. Os mais velhos entenderão as modas de uma maneira. Mergulham na memória, descem os degraus do tempo, fecham os olhos e às vezes choram. Os mais novos entenderão as modas de outra maneira. No início talvez se façam fortes, talvez lutem contra o destino, mas depois vacilam, inebriados de lírios roxos do campo, de amores de mãe, de trigueiras de raça, de solidão, sucumbem lentamente, sentem a planura e a musicalidade da pronúncia. Descoberta a sua essência, entregam-se. É que os genes palpitam nos seus corações como borboletas invisíveis. O cante não precisa de instrumentos. O cante vem nu, chega em carne viva, apresenta-se despojado de acessórios. Traz uma boca de terra, uma garganta de orgulho e uma alma imensa. O cante é uma foice de vozes a cortar o silêncio.
Vítor Encarnação



Enquanto se aguarda, canta-se com alegria.



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